Licitação para entregar Estádio Nacional de Brasília à iniciativa privada é lançada nesta 6ª

Pelas regras, vencedora terá de pagar pelo menos R$ 5 milhões por ano à Terracap. Construída para Copa do Mundo, arena foi a mais cara do evento.

18 de Janeiro de 2018
Licitação para entregar Estádio Nacional de Brasília à iniciativa privada é lançada nesta 6ª
Foi publicada nesta sexta-feira (22) o edital de licitação para conceder o Estádio Nacional Mané Garrincha à iniciativa privada. Quem vencer vai administrar o estádio, o Ginásio Nilson Nelson e Complexo Aquático Cláudio Coutinho – juntos chamados de Arenaplex – por um prazo de 35 anos.

Empresas interessadas têm até as 10h de 8 de fevereiro para apresentar propostas e a documentação mostrando que estão habilitadas. O aviso de concorrência para administrar a área de 700 mil m² foi publicado no Diário Oficial.

Pelas regras, a vencedora terá de pagar pelo menos R$ 5 milhões por ano à Terracap, fora um percentual sobre os lucros. Isso sem contar os cerca de R$ 80 milhões estimados para reformar o conjunto.

Durante os anos de concessão, o GDF estima que vai conseguir arrecadar pelo menos R$ 700 milhões em impostos. Porém, Isso não chega perto do valor total da obra só para construir o estádio, o mais caro da Copa do Mundo de 2014.

Passados quatro anos desde a inauguração do Mané Garrincha, o valor final ainda é um mistério. Em relatórios recentes, a Polícia Federal cita o valor de R$ 1,575 bilhão. Documentos do Tribunal de Contas apontam gastos de até R$ 2 bilhões, e o Palácio do Buriti trabalha com cifras entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão.



Desvios investigados

Uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou possível prejuízo de R$ 106,4 milhões nas obras do estádio Mané Garrincha, entre 2013 e 2015. O valor se soma a uma série de sobrepreços e superfaturamentos identificados na obra, custeada inteiramente com recursos públicos.

Em agosto deste ano, a Polícia Federal indiciou 21 gestores públicos e empresários suspeitos de envolvimento no suposto faturamento nas obras do estádio. O documento de 335 páginas cita os ex-governadores Agnelo Queiroz (PT), José Roberto Arruda (PR) e o ex-vice Tadeu Filippelli (PMDB). Os três, que chegaram a ser presos pela PF durante a operação "Panatenaico", negam as acusações.

O sobrepreço nas obras, segundo o relatório, atingiu R$ 559 milhões – quase o valor inicial previsto para toda a obra, de R$ 600 milhões.
Fonte: G1